A vida anda meio corrida, e infelizmente não consegui postar todos os relatos (voo a voo) conforme eu gostaria. Além disso, voos de TGL são bastante repetitivos, e se tornaria bastante chato escrever textos muito grandes quase sobre a mesma coisa. Deste modo, estou fazendo um mega-post-agregado contemplando os voos 04, 05, 06, 07 e 08, citando os fatos marcantes de cada voo.
No voo 04, depois de quase um mês sem voar, me deparei com uma condição de vento bastante forte, soprando do quadrante norte. O vento na ocasião favorecia a cabeceira 29, e como o circuito de tráfego de Eldorado do Sul é restrito ao setor Norte, utilizamos circuito não padrão (com curvas a direita) quando operando na cabeceira 29. Recordo (e o tracking denuncia) que a primeira decolagem o vento me atirou longe (mas MUITO longe) do eixo da pista. Shame on me. Nas próximas passagens consegui compensar o vento satisfatoriamente e aí a coisa ficou mais bonita. Neste voo também tive que apelar pra uma perna do vento um pouco mais afastada da pista, pois a base estava ficando muito “apertada” em função do vento, forçando curvas fechadas demais para uma aproximação.
No voo 05, o vento era do setor Sul, mas ainda favorecia a cabeceira 29. Neste voo aprendi que ao usar flap 45 graus deve-se utilizar um pouco de motor no flare. Infelizmente descobri isso da pior maneira possível. Pobres amortecedores …
O voo 06 foi o mais tranquilo de todos. A condição estava bem boa, com pouco vento e sem turbulência. A condição favorecia a pista 11, a preferencial do aeródromo de Eldorado do Sul. Porém, nem tudo são flores, e este voo começou mal. Antigamente os aviões do aeroclube tinham uma chave de fenda dentro da cabine para auxiliar na inspeção pré-voo (abrir o compartimento do motor para verificar óleo, drenar combustível e dar uma avaliada geral). Do nada sumiram as chaves de todos os aviões. Eu abri e (supostamente) fechei a tampa do motor com a chave do bagageiro do avião (que, na verdade, é uma chave como se fosse de porta de casa). Porém, como é bem apertada a trava, na realidade a tampa do motor não travou e, ao iniciar o táxi, o vento gerado pela hélice fez a tampa mal fechada vibrar e ela abriu. Tivemos que cortar, fechar com um canivete suíço e recomeçar desde o cheque “antes da partida”. Desde então, sempre carrego um canivete suíço no flight bag.
O voo 7 foi um voo de intenso tráfego aéreo, por assim dizer. É comum o aeródromo ser utilizado por aeronaves de fora, como aviões agrícolas que o utilizam como base ou helicópteros da polícia rodoviária federal/polícia militar. Pois bem, neste dia, numa das aproximações, me deparei com um tráfego que até então não tinha enfrentado. Quando estava na final a coordenação de tráfego anunciou a presença de um avião agrícola realizando aplicações num campo nas proximidades da cabeceira oposta. Ao mesmo tempo, na taxiway (GRRRR) um helicóptero afobadinho da polícia militar decolou mantendo um circuito de tráfego paralelo ao meu. Além de me coordenar com o tráfego padrão, ainda tive que ficar atento ao tráfego do helicóptero (na mesma altitude mas com velocidade menor) e o avião agrícola, sem rádio, em algum ponto abaixo de mim. Ao entrar no través e me afastar do tráfego do helicóptero (que inventou um circuito particular e foi reto embora), identifiquei um tráfego convergente a 1h. Por sorte tratava-se de uma aeronave do próprio aeroclube, e através da coordenação via rádio, cedi a passagem a ele em função de sua performance ser bem superior. Acabei, mais além, tendo que estender muito a perna do vento para manter a sequência de pouso (a perna final da aeronave que eu havia cedido passagem é bem maior que a da aeronave que eu estava).
O voo 8 seria o meu voo de solo. O dia amanheceu lindo, sem vento ou turbulências. O voo estava marcado para às 11:30. Quando cheguei ao aeroclube, o Marlon estava iniciando seu primeiro voo solo. Fiz algumas fotos dele que estão disponíveis aqui e aqui. Infelizmente, no verão gaúcho, com o aquecimento rápido da temperatura ao longo do dia, temos uma deterioração da condição de voo igualmente rápida. Meu voo decolou um pouco atrasado e, logo após a decolagem, já pude perceber que não estava lá essas coisas. Algumas briguinhas pra manter asas niveladas e o eixo da pista após a decolagem e percebi que seria mais um dia de trabalho duro. E assim foi o voo todo, com a condição piorando a cada volta do segundeiro do relógio. Nessa condição não teve solo. Foi uma pena, pois o Marlon e eu fizemos tudo juntos na aviação, conforme já contado nos Posts Asas de um Sonho e Asas de um Outro Sonho, e se o solo tivesse saído no mesmo dia teria sido um belo presente do destino. Porém, na aviação a segurança sempre está em primeiro lugar, e não há espaço para exceções.
Mantenha a escuta, pois no próximo post venho com o solo.
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